Indústria pressiona por regras para primeiro leilão de baterias

Local de armazenamento de bateria frontal desenvolvido pela Noriker. (foto Noriker Power Ltda) -
Indústria cobra portaria com regras para leilão de baterias; governo promete para 'próximas semanas'
Nayara Machado
Prometido pelo governo para 2026, o primeiro leilão de baterias segue indefinido e o mercado já demonstra sinais de ansiedade com a publicação das regras para a concorrência.
Reunidos em Brasília nesta quinta (23/4), executivos da Huawei, Brasol, Elera Renováveis e Axia Energia foram unânimes em uma afirmação: Brasil precisa publicar as diretrizes para sinalizar demanda para os investimentos.
Antes previsto para abril deste ano, o certame agora é esperado para o segundo semestre, já que o governo ainda não apresentou as diretrizes para elaboração do edital.
O objetivo é contratar os sistemas de armazenamento no modelo de leilão de reserva de capacidade (LRCAP) e, com isso, dar um sinal para que o mercado se desenvolva no país.
"Falando em América Latina, o Brasil está perdendo sua vanguarda neste momento", alertou o diretor executivo da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Fabio Lima, durante evento promovido com o Canal Energia.
Lima citou exemplos do Chile, que supera 4 GWh instalados e planeja chegar a 25 GWh até 2030, e da Argentina, que realizou seu primeiro leilão em 2025 e está com o segundo programado para este ano.
Além de México e Colômbia, que lançaram normas e leilões para o armazenamento de energia neste mês de abril.
Segundo o executivo, embora o Brasil tenha a maior perspectiva de mercado na América Latina, há risco de o país perder o timing e investimentos para mercados mais maduros na vizinhança.
"Temos a maior perspectiva de mercado, mais de 70 GWh até 2034, para eficiência, otimização, sistemas isolados, redução dos custos da indústria e aplicação em grande escala, seja na transmissão, em sistemas autônomos ou junto à geração. Podemos evitar que esses riscos se tornem uma crise e, ainda por cima, construir oportunidades", pontua.
"Para isso, precisamos avançar urgentemente com o leilão de capacidade para a BESS (sigla em inglês para sistemas de armazenamento em baterias) e concluir a regulação, pelo menos a primeira fase de regulação na Aneel", completa.
"Nas próximas semanas" e com conteúdo local
Sem cravar uma data, o diretor substituto do departamento de planejamento e outorga de geração do Ministério de Minas e Energia (MME), André Perim, disse, no mesmo evento, que o governo brasileiro deve publicar a portaria com as diretrizes do leilão "nas próximas semanas".A portaria é o documento que falta para elaboração do edital do certame.
Segundo Perim, o governo está encerrando a análise das contribuições recebidas na consulta pública aberta em novembro sobre como funcionará o leilão.
Enquanto isso, o MME estuda com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e o BNDES a possibilidade de exigir conteúdo local nos projetos contratados no leilão, com objetivo de incentivar a industrialização nacional.
"Estamos trabalhando para que, caso haja uma política com índices de nacionalização, que isso seja algo que o mercado possa absorver. Que não prejudique uma contratação mais arrojada de baterias, mas que consiga um efeito benéfico que é desenvolver essa indústria no Brasil", explicou.
Em novembro de 2025, quando o MME abriu a consulta pública sobre o primeiro leilão de armazenamento do país, a previsão era de realização do certame em abril de 2026, início do suprimento em agosto de 2028.
Uma das expectativas gira em torno do montante contratado. O volume não foi divulgado, mas em outubro o ministro do MME, Alexandre Silveira (PSD), estimou que o leilão deve ter 2 GW de demanda.
Sinal de demanda
Publicado para consulta pública em fevereiro, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) projeta que o sistema elétrico brasileiro irá demandar mais de 6 GW de baterias no período.A expectativa é mais que o dobro do projetado no PDE 2034, quando a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou 2,8 GW. Na época, o documento avaliava que as baterias ainda estavam longe de serem economicamente atrativas e que a entrada no mercado seria marginal.
Mas a perspectiva do primeiro leilão para inserir o armazenamento no sistema elétrico - em meio a uma demanda crescente por potência conforme renováveis intermitentes avançam na matriz - mudou o cenário.
Agora, Ministério de Minas e Energia e EPE enxergam a tecnologia ganhando escala no país, impulsionada também pela competitividade.
Curtas
R$ 48 bi por ano. Considerados os grandes "vilões" das contas de luz no Brasil, os encargos vão continuar a pressionar as tarifas nos próximos anos. A contratação de potência para o sistema elétrico brasileiro por meio dos LRCAPs de março vai gerar um custo anual de R$ 48 bilhões em encargos a partir do início da próxima década, segundo cálculos da TR Soluções.Governo trava PL dos minerais críticos. O relator da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), adiou novamente a entrega de seu parecer para o dia 4 de maio. O texto entrou na pauta de votação desta quarta (22/4), porém, o governo pediu um prazo maior para formalizar suas sugestões à proposta.
GT para pequenos reatores. O MME realizou a primeira reunião do grupo técnico que vai estudar a infraestrutura nacional para reatores nucleares de potência, a fim de recepcionar pequenos (SMRs) e microrreatores modulares. Entre os temas prioritários estão definição de locais para instalação, financiamento e desenvolvimento da cadeia de suprimentos.
Cabotagem para reduzir emissões. O transporte de mercadorias em contêineres por cabotagem pode reduzir em até 8,2% as emissões de CO2 do setor de transportes de cargas no Brasil, segundo estudo da CNI. De acordo com o levantamento, o Brasil tem potencial para quadruplicar o uso da cabotagem, mas precisa de novos investimentos em infraestrutura portuária.
Diário do estreito. Os militares dos Estados Unidos apreenderam nesta quinta-feira (23/4) outro petroleiro iraniano, intensificando o impasse com o Irã um dia após a Guarda Revolucionária paramilitar do país ter assumido o controle de duas embarcações no crucial Estreito de Ormuz.
Jovem Aprendiz na Tereos. A empresa de açúcar e etanol está com inscrições abertas para o Programa Aprendiz SENAI 2026 nas usinas São José e Vertente. Voltada a jovens entre 18 e 22 anos, que estejam cursando ou já tenham concluído o ensino médio, a iniciativa oferece formação em Mecânica Agrícola e Veículos Pesados em parceria com o SENAI.
Eixos
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